Tuesday, November 17, 2009

Mais sobre a Argentina - Parte 2




As casas coloridas de 'La Boca': um dos famosos bairros de Buenos Aires


Por Fábio Pires
Pesquisador e colecionador de discos





Mais impressões sobre o país:


Buenos Aires é uma cidade que conversa sua história e é bem peculiar no que diz respeito à conservar essa historicidade. Fiquei de frente com a famosa casa de shows 'Luna Park', palco de tantos artistas nacionais (argentinos) e internacionais. O 'Paralamas do Sucesso' (aclamado em terras portenhas) fez alguns shows por lá, quando do auge da banda, anos atrás.Os Ramones, com uma legião de fãs mais fanática da carreira, também esteve nessa casa. O engraçado eram os shows que contavam com um famoso estouro de fogos dentro da casa, algo que metia medo até nos integrantes da banda de Joey Ramone na época em que visitavam BA...


Cds e livros

A grande loja 'El Ateneo' (que conta com uma rede até razoável de outras tantas espalhadas pela cidade) não dispõe de um grande acervo, pelo menos fiquei decepcionado com a 'filial' na Av. Santa Fé onde outra loja conhecida, a Musimundo, fechou suas portas. Procurei por lá o 'Dicionário de Rock Argentino' das publicações da Musimundo, obra até bem famosa e de boa vendagem, mas que estava esgotada em várias livrarias em que estive como Distal, Cuspide, Capitulo Dos e Hernandez. Se você vai para lá e tem a intenção de comprar cds e/ou vinis, não fique muito esperançoso, pois mesmo na feira de antiguidades de San Telmo (uma feira incrível e com um acervo de velharias e raridades de arrepiar) achei duas barracas com alguns vinis bem antigos até e compactos com preços salgadíssimos para os portenhos (compactos entre 50 e 60 pesos, por exemplo), o que para eles torna 'arte do colecionismo' meio inviável nesses tempos de 'download desesperado'. Abraço à todos e espero ter ajudado um pouco aos turistas curiosos que queiram ir para lá...

Sunday, November 08, 2009

Minha segunda visita à Buenos Aires - parte 1







Texto de Fábio Pires
Pesquisador e colecionador de discos



Recentemente (agora com minha esposa) estive terras portenhas, pela segunda vez. Comprei muitos cds na lá nesses últimos dias (de 29/10 à 3/11), dentre eles 'La Grasa de las Capitales' da banda Seru Giran (ex-banda de Charly Garcia) e os uruguaios 'Los Mockers', mas a coisa está bem fraca nas lojas e inclusive nas livrarias.
Buenos Aires é uma cidade que conserva sua história e é bem peculiar no que diz respeito à preservar essa historicidade. Fiquei de frente com a famosa casa de shows 'Luna Park', palco de tantos artistas nacionais (argentinos) e internacionais. O 'Paralamas do Sucesso' (aclamado em terras portenhas) fez alguns shows por lá, quando do auge da banda, anos atrás.Os Ramones, com uma legião de fãs mais fanática da carreira, também esteve nessa casa. O engraçado eram os shows que contavam com um famoso estouro de fogos dentro da casa, algo que metia medo até nos integrantes da banda de Joey Ramone na época em que visitavam BA. Os monumentos da cidade, como o do presidente Sarmiento com os netos, bem famosa na cidade, a primeira casa de tango da nobreza do século 19, ou mesmo a Casa Rosada merecem toda a consideração por nós, bem como os lugares históricos de Minas, Rio ou Salvador, por exemplo, em nosso país. O sentimento de preservação e reconhecimento do argentino à sua parte histórica é sentida no momento em que a guia de nossa van narra os fatos históricos, tanto de Evita Peron em seu mausoléo como o badalado 'El Caminito' do bairro de 'La Boca', por exemplo.

Monday, October 12, 2009

O rock sul-americano, seus expoentes Parte I




O álbum 'Grasa de Las capitales' do grupo Serú Girán (1979), um dos ícones do rock argentino


Texto de Fábio Pires
Pesquisador musical e colecionador


Somos egoístas ?? Somos insulares como os norte-americanos ?? Desconsideramos o que é produzido no restante da América do Sul ?? As respostas à essas perguntas são bem complexas, à meu ver. Devido à extensão de nosso país e à língua portuguesa, que difere da de nossos irmãos latinos em nossa região, acho que de certa forma a resposta é 'sim' para essas perguntas. E você, o que acha ??


Estou começando a primeira parte dessa pesquisa sobre o rock sul-americano, que abrangerá depois a música popular, por simples gosto pessoal, para que possamos debater o que foi feito nas décadas de 50-80, mais especificamente, e tentar trazer à tona um assunto que não é muito percebido por nós, tamanha nossa conveniência como nação continental e de, talvez, sempre acharmos que somos auto-suficientes e independentes por termos uma cultura riquíssima, e assim o é, mas que ao mesmo tempo 'damos as costas' à um outro lado da paisagem cultural latino-americana. Esse desdém provoca o desconhecimento da cultura alheia, a não-informação e o não-interesse e, por fim, a ignorância.


Sou professor de Inglês, mas consciente de nossas mazales de interdependência com os EUA, não me sinto um norte-americano, minha vertente linguística é a britânica, isto é, a origem da língua, o lado europeu da coisa, não menos influenciado pelo 'British way of life', mas não me sentindo um europeu britânico, todavia, muitos colegas de profissão, por enaltecer a nação norte-americana esquecem seu lado brasileiro, latino-americano, às vezes totalmente, e nem é preciso ser um profissional da língua para que isso aconteça: vejamos os milhões de casos de brasileiros que detestam o cinema nacional, a comida brasileira (observem os fast-foods lotados), a música chamada MPB, principalmente hoje em que muitos artistas do passado foram esquecidos, para que se voltasse para um lado mais 'pop' do estilo (uma expressão em inglês usada aqui, olhem só !!), a influência da linguagem oral e escrita e seu uso 'justificado' por ser 'chique'. Essa incorporação de uma cultura que substitui a nossa verdadeira é muito aparente...Pelo menos aqui no Brasil.


O que quero mostrar é que com relação aos países sul-americanos isso se dá numa tendência semelhante à atitude tomada pelo norte-americano em relação ao resto do mundo. Mal conhecemos a geografia argentina, chilena, uruguaia ou paraguaia, por exemplo, e quem dirá o restante da criação artística desses países como a música, o teatro ou a literatura. Mal sabemos falar a língua espanhola. Achamos que sabemos. E somos ridicularizados por eles por isso. Somos 'estranhos no ninho cultural' do hemisfério sul.


Chegando onde eu queria, esse trabalho quer mostrar os grupos de rock que fizeram história em países como Argentina, Chile e Uruguai, por exemplo, mas alertando que a criação artística-musical se deu em todos os países sul-americanos num mesmo nível ou até mesmo superior à nossa criação musical brasileira, se levarmos em conta o rock.


Meu objetivo é, dentre outros :

- Reconhecer que não somos apenas nós brasileiros que temos música rock. Baixo, bateria, guitarra e vocal também são conhecidos por nossos vizinhos sul-americanos.

- A música de nossos vizinhos não é feita apenas de Carlos Gardel, Mercedes Sosa (que faleceu nessa última semana) ou tango argentino ou até mesmo o candombe uruguaio

- O rock feito na Argentina, Chile e Uruguai, principalmente, teve um grande reconhecimento em toda a América do Sul, mas infelizmente não tivemos e não temos acesso à ele, pois não conhecemos artistas dos outros países da mesma forma que conhecemos os ingleses e norte-americanos. O erro é nosso.

- O rock nos países que citei existe desde o final dos 50 e teve seu auge nos anos 60,70 e 80 mais precisamente, o que concidiu com o estilo ter estourado também nos 'países de origem' como EUA e Inglaterra e toda a revolução de costumes que envolveu aquela época. No Brasil tivemos a Jovem Guarda nos anos 60 e em outros países tivemos movimentos semelhantes aos vividos aqui, e tão intensos quanto.Com toda a certeza, caros leitores.

Quero destacar:

Algumas bandas chilenas dos anos 60:

Los Larks com os álbuns ‘A Go-Go’/ ‘The Larks Sound Go-Go’, Los Macs, Los Jockers, Los Beat 4, Los Picapiedras, Los Sicodélicos, Amigos de Maria, Congreso, Tumulto entre outras...


Bandas e artistas argentinos dos anos 60-80(contando com a colaboração de pesquisa do grande colecionador Marco Gonçalves):

Manal, Los Gatos, Pappo’s Blues, Aeroblus, Almendra, Billy Bond Y La Pesada, Kubero Díaz, Arco Iris, La Cofradía De La Flor Solar, Alma Y Vida, Tanguito, Miguel Abuelo, Vox Dei, Sui Generis, Pastoral, Pescado Rabioso, Invisible, Luis Alberto Spinetta, Spinetta Jade, Color Humano, Aquelarre, León Gieco, Moris, Nito Mestre Y Los Desconocidos de Siempre, Serú Girán, Charly García, David Lebón, Andrés Calamaro, Polifemo, El Reloj, Crucis, Espíritu, La Máquina De Hacer Pájaros, Orion's Beethoven, Los Redondos, Soda Stereo, Sumo, Divididos, Los Abuelos De La Nada, Babasónicos, Memphis La Blusera, Los Ratones Paranoicos, Riff, Rockal Y La Cria, Montes, Los Fabulosos Cadillacs, e por aí vai.


Do Uruguai dos anos 60-80 temos bandas importantes que são Los Shakers, Los Mockers, Psiglo, Dias de Blues, Opus Alfa, El Sindykato, Tótem, El Kinto, Los Bulldogs, Los Moonlights, Los Delfines, Los Killers, Hojas, Dino, Los Estómagos entre outras...


Vou citando o trabalho de várias bandas no próximos posts, grupos que se influenciaram da mesma forma nas décadas como fomos influenciados por Elvis, Little Richard, Beatles, The Rolling Stones, o punk da década de 70, o new wave e Heavy Metal dos anos 80 . Tudo, absolutamente tudo que tivemos no Brasil como expressão musical do jovem, sobretudo, aconteceu nos países sul-americanos. Espero que tenham gostado desse primeiro esboço e conto com as sugestões dos colegas sobre informações, elogios e críticas sobre o assunto.

Sunday, September 27, 2009

E as pesquisas continuam...

Por Fábio Pires, incansável (e ainda) pesquisador das artes musicais



Mais uma vez, colegas escrevo para dizer-lhes que essa vida não é fácil: o trabalho de nossas carreiras nos consome um tempo enorme, sustentar uma família muitas vezes não nem um pouco simples, agora acho que entendo os solteiros, heheh. De uma forma mais intismista e elucidante pretendo escrever mais textos que possam dar uma amplitude maior nesse trabalho que venho desenvolvendo desde 2006, e sempre contando com os posts de vocês que escrevem de vários pontos de nosso país, inclusive de outros lugares do mundo. Força e espero agora continuar com força total nesse árduo trabalho da pesquisa musical. Abraço à todos e ótima semana.

Friday, July 24, 2009

O que estou ouvindo nesse momento...




Por Fábio Pires
Pesquisador e colecionador de discos




A excelente trilha sonora do filme 'American Graffiti' de George Lucas de 1973. Também chamado de 'Loucuras de Verão'é uma trilha sonora com 'The Platters', 'Buddy Holly', 'Chuck Berry', 'The Beach Boys', 'Fats Domino', 'Del Shannon', 'Bill Haley and the Comets' entre outros.A trilha reflete o que foi aquela época maluca dos 50 com carrões, garotas, jukeboxes, aventuras em drive-ins e o reflexo direto do momento do pós-guerra nos EUA e como os jovens da época reagiram ao consumismo e à política norte-americana e que mais tarde culminaria no movimento de reação dos hippies à guerra do Vietnã e o clamor por uma sociedade mais justa e compreensiva com o jovem.

Da wikipédia, temos:

" Em 1962, numa pequena cidade dos Estado Unidos, Curt e Steve vivem grandes aventuras no último dia de verão antes de partirem para a universidade. Nesta noite, vários acontecimentos ocorrem ao mesmo tempo: Laurie, irmã de Curt e namorada de Steve, briga com ele e acaba saindo de carro com o forasteiro Bob Falfa, que depois disputa um racha; o desajeitado Teddy pega emprestado o carro de Steve e consegue conquistar Debbie; e Curt se junta à gangue dos Faraós e pratica pequenos crimes."


Dirigido em 1973 por George Lucas, temos no elenco:


Richard Dreyfuss .... Curt Henderson
Ron Howard .... Steve Bolander
Paul Le Mat .... John Milner
Charles Martin Smith .... Terry Fields ('The Toad')
Cindy Williams .... Laurie Henderson
Candy Clark .... Debbie Dunham
Mackenzie Phillips .... Carol
Wolfman Jack .... disc jockey
Bo Hopkins .... Joe Young
Manuel Padilla Jr. .... Carlos
Beau Gentry .... Ants
Harrison Ford .... Bob Falfa
Jim Bohan .... Holstein
Jana Bellan .... Budda
Deby Celiz .... Wendy

Sunday, June 14, 2009

À procura de discos em São Paulo



















Por Fábio Pires
Colecionador e Pesquisador



Achar bons discos em São Paulo não é tarefa tão difícil.Em quaisquer lojas de cds (e elas estão ficando rarefeitas) acha-se coisas interessantes, meio que jogadas por um canto: um 'Time Out' de David Brubeck, por exemplo, é bem encontrado nas lojas, uma das obras-primas do gênero norte-americano tenha sido um disco caro no passado, mas hoje $15 ou no máximo $20 compram esse que foi, talvez, o maior álbum do pianista norte-americano.Alguns desses grandes lugares é a Livraria Cultura da av.Paulista aqui em São Paulo.Relativamente nova, sua inauguração se deu em 2007, essa loja é um paraíso de livros em algumas línguas, revistas em quadrinhos, cds e vinis nacionais e importados, artigos para crianças como brinquedos didáticos e convencionais.Entrar nesse lugar é uma tentação para quem, como eu, adora álbuns em cds ou vinis.Recentemente comprei a nova edição do álbum de Miles Davis 'Kind of blue' (1959, Columbia records) em sua edição comemorativa em dois álbuns e um dvd trazendo as canções de Miles com imagens do mestre em suas apresentações.A Livraria Cultura torna-se uma referência na cidade de São Paulo.


Outro lugar onde críticos, fanáticos e amantes da música de vários gêneros gastam seu dinheiro é nas Galerias.Localizada da rua 24 de Maio também em São Paulo, esse conjunto de lojas apresentou-se para a música em 1978 com sua primeira loja voltada para o rock e que mais tarde motivaria outros lojistas à investir em gêneros como o rock'n roll, HM, MPB e Jazz e vender seus discos, mais tarde cds, em várias pequenas lojas cujo pequeno conglomerado não deve nada à Tower Records ou Virgin de Londres, lojas de Nova Iorque ou do Japão.Mesmo com o fato de que com essa crise fonográfica (tópico do qual falaremos em outros posts futuros) algumas lojas já tenham desaparecido existe ainda bons lugares para se comprar discos nessa cidade maluca.


Conversando pouco tempo atrás com alguns colegas recém-conhecidos pessoalmente vi que o número de bandas obscuras (décadas de 60, por exemplo) das quais eu nunca ouvira falar é enorme.Anos atrás fiz uma proposta de 'regressão' na música: conhecer artistas/bandas das quais eu sequer ouvira dizer, fosse através de revistas, internet e colegas numa idéia de valorizar artistas que de repente fizeram poucos albuns ou até um apenas e conhecer o que de pouca divulgação tiveram: estou tendo êxito.O que poderia ter apenas de álbuns importados tenho acesso aqui em SP, num país de Terceiro Mundo, o que prova que temos boa qualiadade em vendas, apesar de tudo que assola as lojas de cds, uma crise de 'perda fonográfica'.

Sunday, May 31, 2009

Ed Motta: colecionador e músico (Parte 1)


















Por Fábio Pires
Pesquisador e colecionador



Nascido no Rio de Janeiro em 17/08/71 no bairro da Tijuca, ficou conhecido na mídia na década de 80 por ser o sobrinho do grande cantor de funk e soul brasileiro Tim Maia.Presenteado pelo tio na infãncia com um violão, Motta cantou na banda Kabbalah.Organizou no MIS uma semana sobre soul e funk.Fã de dance music misturou elementos que iam do jazz ao rock.Cresceu ouvindo também o mais puro Heavy Metal de bandas como 'Black Sabbath' e 'Led Zeppelin', bandas que faziam parte de sua coleção de discos particular, como revelaria numa de suas entrevistas para a TV.Fundou o grupo 'Expresso Realengo' com o guitarrista Luiz Fernando chamando-se 'Conexão Japeri', logo em seguida.Em 1988 gravou canções como 'Vamos dançar' e 'Manuel' (o maior sucesso da banda na época).Em 1990 desligou-se do grupo e partiu para sua carreira solo, gravando canções como 'Soluçaõ', 'Um jantar para dois', 'Sombras do meu destino' (parceira com o guitarrista e baixista Bombom).Gravou em 1992 o álbum 'Entre e ouça', gravou em 1993 o álbum 'Ao vivo' com canções norte-americanas e próprias, começava aí o grande envolvimento do artista com as gravações de standards do jazz e de soul que marcariam a carreira do artista até hoje.Em 1994 muda-se para Nova Iorque e retorna ao Brasil em 1996 gravando (colaborando) a trilha sonora do filme 'Pequeno dicionário amoroso' (de Sandra Werneck).É um artista multi-instrumentista, fã de quadrinhos europeus e notório apreciador de vinhos, cervejas e chás.


Ed Motta é um dos grandes conhecedores de jazz e de música norte-americana em geral.Colecionador, possue milhares de vinis em sua coleção à ponto da gastar milhares de dólares em grandes centros como Japão e Europa.É referência para os colecionadores em nosso país além de profundo conhecedor da área de vinhos.A segunda parte vem para falarmos sobre os outros álbuns de Ed Motta, já considerando o último 'Chapter 9' de 2008.



*Ajudou-me nesta pesquisa o 'Dicionário Houaiss da Música Popular Brasileira'